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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Vento a favor na Terra do Sol

Vivemos um momento de muitas oportunidades no audiovisual brasileiro, e em especial no Nordeste
Marcelo Ikeda - Professor do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidente da Câmara Setorial do Audiovisual (CSA/Adece

Apesar da crise, o setor audiovisual permanece crescendo a uma taxa média de 9% ao ano, e já representa 0,5% do PIB nacional, com faturamento anual acima de R$ 20 bilhões. As transformações tecnológicas da virada do século estimularam ainda mais o setor, criando novos modelos de negócios. A Região Nordeste é a que mais cresce em todo o país e, no audiovisual, mais de 50% nos últimos cinco anos.

Vivemos um momento de muitas oportunidades no audiovisualbrasileiro, e em especial no Nordeste. Nos últimos anos, o Ceará tem produzido filmes de destaque. Os três de maior bilheteria nos últimos 20 anos produzidos no Nordeste são cearenses: Cine Holliúdy, Bezerra de Menezes e As mães de Chico. Outros filmes têm participado de importantes festivais nacionais e internacionais, como O grão, Os últimos cangaceiros, Com os punhos cerrados. Seja nos resultados comerciais seja nos artísticos, o cinema cearense atravessa um dos mais pujantes momentos de sua história.

A Agência Nacional do Cinema (Ancine), por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), tem oferecido novas oportunidades de financiamento à produção nacional. A Lei 12.485/11 inseriu a obrigatoriedade de veiculação de produção independente brasileira nos canais da TV por assinatura. Temos, então, uma nova demanda por conteúdo brasileiro, e os recursos do FSA, de R$ 600 milhões/ano, para o financiamento dessa produção. As produtoras cearenses buscam se inserir no cenário da produção nacional, capacitando-se aos recursos do FSA, ainda concentrados no eixo Rio-São Paulo.

Para tanto, é fundamental o investimento do Governo do Estado do Ceará, em especial a Secretaria de Cultura. Vivemos um momento deesperança, quando o Governador Camilo Santana anunciou que a cultura seria um dos setores estratégicos de seu de governo. A Ancine vem estimulando as parcerias com os governos estaduais, complementando recursos, mas, para isso, é preciso que o Governo do Estado entenda o setor audiovisual como estratégico.

O Programa Especial de Fomento (PEF) prevê a criação de um fundo de R$ 10,8 milhões baseado em renúncia fiscal federal. Quatro canais de televisão - NordesTV, Jangadeiro, TV Ceará e TV O POVO - firmaram compromisso de exibir as obras cearenses produzidas pelo PEF. A criação de um órgão central - a Ceará Filmes - aos moldes de experiências de outros estados, como a RioFilme e a SpCine, teria condições operacionais de levar à frente um planejamento estratégico de médio e longo prazo, elaborado em conjunto pelo setor e pelo governo.

São medidas que podem levar o audiovisual cearense a outro patamar, seja como potencial simbólico seja como agente de desenvolvimento econômico. Na Terra do Sol, os ventos parecem soprar a favor.
Fonte: Jornal O Povo
24/10/2015

Cinema cearense: o futuro é agora


No século XI, o cinema cearense, mesmo com escassos apoios de políticas públicas estaduais, conquistou espaço significativo no cenário nacionalRosemberg Cariry - Ex- presidente da Associação de Produtores e Cineastas do Norte/Nordeste – APCNN
Em 1908, em Fortaleza, Victor di Maio abre as portas do seu Cinematographo Art-Nouveau. Daí por diante teríamos uma trajetória cheia de heroísmos, tragédias e vitórias, que passa por Adhemar Albuquerque – Aba Film, pelo sírio-libanês Benjamin Abrahão (do documentário Lampião, de 1936), pela experiência de Orson Welles em praias cearenses (anos 1940), até chegar ao nosso criativo e inquieto cinema contemporâneo. No início da década de 1980, no Crato e em Fortaleza, surgem jovens cineastas que fundariam o moderno cinema cearense. As associações – Associne e a ABD-CE desempenharam importantes papéis na conquista depolíticas públicas, feita passo a passo, em projetos e ações que vão desde a Casa Amarela (Eusélio/Wolney Oliveira), passando pelo Complexo Industrial de Produções Cinematográficas e Audiovisuais do Nordeste (gestão Violeta Arraes) até chegar ao Instituto Dragão do Mar e ao Porto Iracema (gestão Paulo Linhares), surgindo também várias empresas produtoras de audiovisuais.

No século XXI, o cinema cearense, mesmo com escassos apoios de políticas públicas estaduais, conquistou espaço significativo no cenário nacional e fez do Ceará um dos mais importantes polos de produção do Nordeste. A vanguarda do cinema brasileiro hoje passa obrigatoriamente pelo Ceará. O cinema aqui realizado conseguiu romper os muros da província e alçar voos largos, em salas, festivais e mostras do Brasil e do exterior. Um sucesso. Mas precisamos crescer ainda mais, atraindo para o Ceará os recursos destinados por lei, pela Ancine, para a região Nordeste. Para termos um projeto amplo e integrado ao processo de crescimento econômico, precisamos de uma Agência de Desenvolvimento Audiovisual e de Convergências Digitais, ou mesmo da Ceará Filmes, inspirada no modelo da SP Cine, com uma estrutura leve, mas capaz de atrair os recursos necessários ao novo patamar conquistado por nossas produções.

O nosso cinema, diante de uma política estadual ainda tímida, tem trabalhado mais com recursos federais, dinheiro que gera empregos e rendas, desenvolvendo bens materiais e imateriais no Ceará. Muitos mais recursos federais e mesmo internacionais podem ser atraídos, ajudando na consolidação de uma indústria audiovisual no nosso Estado. E aonde chegar um filme cearense chegará também a nossa paisagem, a nossa produção material, o nosso povo, a nossa cultura e os nossos sonhos. O Governador Camilo Santana compreendeu esse novo paradigma da hipermodernidade e parece disposto a transformar o Ceará em um dos mais importantes centros de produção audiovisual e de convergência digital do Nordeste. O futuro é agora.

Fonte: Jornal O Povo

Spcine, Ceará Filmes e o audiovisual nacional

O audiovisual brasileiro vive um momento de reconquista do público, e de revolução na TV por assinatura a partir da Lei Federal nº 12.485/11
Alfredo  ManevyDiretor-presidente da Spcine  

São Paulo deu início a uma nova etapa no desenvolvimento de seu cinema e audiovisual. Com a inauguração e as primeiras ações da recém-criada Spcine (agência de apoio ao audiovisual paulista), iniciativa da Prefeitura de SP, com apoio das outras esferas de governo, o conteúdo audiovisual recebe finalmente o tratamento como atividade estratégica em uma das metrópoles culturais mais importantes do planeta.

Recentemente, a convite do Governo do Estado do Ceará, estive em Fortaleza para uma reunião com governo e setor audiovisual cearense, discutindo a oportuna criação da Ceará Filmes. Iniciativa decorrente de esforços de gerações do audiovisual cearense, e de outras iniciativas de excelência como o Centro Dragão do Mar e o Cine Ceará. O Brasilvive um momento propício para o audiovisual, que duplicou seu peso no PIB nos últimos 5 anos, chegando a significar um terço da indústria automobilística.

A iniciativa da Ceará Filmes faz completo sentido porque temos uma janela de oportunidade única no mercado interno e externo. Internamente, temos a demanda da TV, agora garantida por lei federal. Externamente, temos mercados enormes na América Latina, Europa, Árica e Ásia. A Spcine certamente será parceira da Ceará Filmes.

É preciso apoiar os talentos, a pluralidade, inovação e renovação de linguagem. Ao mesmo tempo fortalecer a distribuição e promoção do conteúdo audiovisual, o desenvolvimento de gêneros e nichos para ampliar o público e a qualidade da produção.

O audiovisual brasileiro vive um momento de reconquista do público, e de revolução na TV por assinatura a partir da Lei Federal nº 12.485/11. Para dar esse salto é necessário apoiar o desenvolvimento de dramaturgia, roteiro e direção para cinema e séries; é preciso reduzir custos e tempos da produção; ampliar a mão-de-obra técnica, em funções executivas e criativas.

É fundamental o apoio às novas formas de distribuição digitais, assim como retomar os cinemas de rua, como fez a Prefeitura de SP com o Cine Caixa Belas Artes. É preciso um circuito novo e acessível de salas, na periferia e no interior do Estado para garantir a diversidade. Fortalecer a Film Commission, agilizando a liberação de filmagens.

Queremos que este primeiro ano da Spcine possa servir de apoio para o desenho de uma política audiovisual cearense. Seria possível criarmos uma agenda de co-produção e distribuição de filmes entre São Paulo e o Ceará? Acredito que sim.

Universalizar o acesso à cultura, fomentar a produção do centro e da periferia, repercutir na cartografia sociocultural do planeta. A Spcine e a Ceará Filmes chegam no momento

Fonte: Jornal O Povo

domingo, 25 de outubro de 2015

Investimento na área diminuiu na gestão Roberto Cláudio

Desde 2013, primeiro ano de gestão de RC, o orçamento de cultura em Fortaleza vem diminuindo a cada ano. Em 2015, quando houve aumento de verba prevista, mais de 50% do dinheiro disponível ainda não foi utilizado
MAURI MELO
Manifestantes ocuparam a sede da Secretaria de Cultura para protestar contra o baixo valor destinado para o Edital das Artes



Os investimentos na cultura em Fortaleza vêm diminuindo desde 2013, início da gestão de Roberto Cláudio (PDT). Diferentemente do que tem ocorrido com o orçamento total da Prefeitura, descrito na Lei Orçamentária Anual (LOA), maior desde o primeiro ano do mandato de RC, a queda nos repasses destinados ao setor é verificada tanto no orçamento previsto quanto no efetivamente executado.

Levantados pelo líder da oposição na Câmara dos Vereadores, Ronivaldo Maia (PT), as informações estão disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura de Fortaleza.

O ano de 2014 foi o único em que houve aumento do dinheiro investido na área em relação ao ano anterior, mas. Em 2013, foram previstos mais de R$ 90 milhões para atividades culturais na Capital, dos quais R$ 36 milhões foram usados. 

No ano passado, o gasto previsto caiu para R$ 57 milhões - desse montante, R$ 44 milhões foram utilizados.

O ano em que o gasto com cultura em Fortaleza deve ser menor é 2015. Faltando dois meses para o fim, dos cerca de R$ 57 milhões disponíveis para a área, 

R$ 22 milhões foram destinados a projetos. Em relação ao mesmo período do ano passado, há queda de 30% quanto ao valor executado. Em 2015, porém, houve aumento da verba destinada à cultura, embora de menos de meio porcento. 


Comparando-se os penúltimos anos das gestões de RC (2015) e de Luizianne Lins (2011), houve queda de aproximadamente 26% no valor do orçamento voltado à cultura. Em relação ao valor realmente executado até outubro daquele ano, a queda é de cerca de 17%. 

Oposição
De acordo com Ronivaldo Maia, essa redução não pode ser justificada pela crise financeira por que passam os municípios brasileiros, mas por “falta de prioridade do governo”. Para o opositor, investir em cultura em Fortaleza é importante para “valorizar os talentos da terra” e até mesmo o turismo local.

Outro lado
Os valores informados sobre o orçamento destinado à cultura nos últimos anos não dizem respeito somente à Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secult), mas a várias pastas que promovem atividades culturais.

Inácio Carvalho, assessor de planejamento da Secultfor, disse poder se pronunciar somente sobre o orçamento de sua pasta. Ele argumentou que “há uma crise” econômica e que “a Prefeitura passou a ter uma diminuição de acordo com a realidade”.

De acordo com dados repassados pela secretaria, houve aumento de cerca de 8% no orçamento da pasta no primeiro ano do mandato de Roberto Cláudio, mas em 2014 e 2015 o número de fato caiu. Neste ano, ainda conforme a Secultfor, o orçamento da pasta é de aproximadamente R$ 26 milhões.

Procurada, a Secretaria do Planejamento, Orçamento e Gestão de Fortaleza (Sepog), responsável pela elaboração da LOA, não quis se pronunciar sobre o dinheiro voltado para a cultura nem sobre a execução das verbas.

O POVO também entrou em contato com a Prefeitura de Fortaleza, mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.

Fonte: Jornal O Povo